Cabanha Árabe - Ovinos da Amazônia

CRIAÇÃO DE OVINOS TEXEL NA AMAZÔNIA.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Raças lanadas podem ser criadas tanto em regiões frias como nas mais quentes



Pontos básicos para iniciar a criação de ovinos
O ovinocultor deve fazer um bom pla­nejamento antes de iniciar a criação. A nutrição é de extrema importância, po­­rém muitos produtores, ao ingressarem na atividade, invertem a ­seqüência da realidade técnica, ou seja, primeiro com­pram os animais, e em seguida preo­­cupam-se com a alimentação.
Existem várias raças de ovinos ­criadas no Brasil. As mais difundidas são: Suffolk, Hampshire Down, Texel, Ile de Fran­ce e Dorper (lanadas e ­es­pecíficas pa­ra carne). A Corriedale e Romney Marsh são de dupla aptidão (carne e lã), além das nacionais des­lanadas, co­mo a Santa Inês e a Morada-Nova (carne e couro).
Nos lanados há necessidade de se efe­­tuar a tosquia uma vez por ano (outubro a janeiro). Como a lã é considera­da um excelente isolante térmico, protegendo os ovinos tanto do frio quanto do calor, as raças lanadas podem ser cria­das tanto em regiões frias como nas mais quentes (áridas e semi-áridas).
Para a criação de qualquer raça, de­­ve-se levar em consideração a fertili­dade do solo e o valor nutritivo do pasto, pois as exigências nutricionais das mes­mas variam de acordo com a sua ap­tidão: as específicas para carne são mais exigentes, enquanto que as de du­plo propósito têm média exigência nu­tri­cional.
Dentre as gramíneas mais indi­ca­das para os ovinos destacam-se as se­guin­tes: Estrela branca e/ou roxa, Tif­ton-85, Coast cross, Matogrosso, Arua­na e Tanzânia. Deve-se evitar a Bra­chia­ria decumbens, pois esta pode resultar em fotossensibilização nos animais. Além disso, sempre é importante lem­brar da importância de sombra na pas­tagem, que protege os animais da for­te radiação solar nas horas mais quen­tes do dia, momento que aproveitam para ruminar.
A fertilidade do solo é um ponto im­prescindível que deve ser levado em con­sideração. Antes de implantar uma pas­tagem cultivada (gramínea e/ou le­gu­minosa) deve-se saber qual sua exigência em nutrientes e quanto o solo tem a oferecer (V% - saturação de bases).
Para isso, antes de tudo, uma aná­li­se química do solo deve ser feita. Após essa prática, deve-se então fazer o preparo do solo, calagem, adubação (química e/ou orgânica) e posteriormente a realização do plantio da forrageira.
O ideal é usar a técnica de pastejo ro­tacionado (divisão do pasto em piquetes), pois este promove a diminuição da verminose dos ovinos, uma vez que aproximadamente 80 a 90% dos ver­mes estão no pasto e somente 10 a 20% nos animais. Além disso, o pastejo rota­cionado respeita o hábito de cresci­mento das gramíneas, deixando um pe­ríodo sem animais na área (período de des­canso), conseqüentemente aumentando a produtividade da mesma e permitindo maior lotação animal.
Para controle da verminose, ­deve-se coletar as fezes de 5 a 10% de cada ca­tegoria animal (carneiros, ovelhas, bor­regos e cordeiros) a cada 28 dias, que deverão ser encaminhada para contagem de ovos por grama de fezes (exa­me de OPG), proporcionando assim um melhor monitoramento da endo­pa­rasitose. Além disso, um profissional da área deverá instruir qual princípio ati­vo deverá ser usado, pois este deve ser alterado nas vermifugações para evi­tar ao máximo os casos de resistência dos vermes aos anti-helmínticos.
As cercas para os ovinos devem possuir aproximadamente 1,2 a 1,4 m de altura, podendo ser de tela, arame li­so (paraguaia) ou até mesmo ­elétrica. Lembrando que a melhor cerca é um bom pasto, para evitar que os animais ul­trapassem a cerca; entretanto, quando se pretende fazer a integração de ovi­nos com bovinos, a cerca deve ser a mesma para bovinos, acrescentando mais dois fios na parte inferior.
Os ovinos são bastante dóceis, co­mu­mente sendo manejados por mulheres. No período noturno a maioria dos cria­dores recolhem os animais em ­local protegido para evitar ataque de predadores (cães bandoleiros, lobos, etc.) Existem, porém, raças de cães ove­lhei­ros, que auxiliam no manejo com os ovi­nos.
O casqueamento deve ser realizado quando necessário, geralmente du­as vezes ao ano. A vacina mais recomendada é a contra as Clostridioses (car­búnculo e tétano), porém dependendo do local da criação pode haver a necessidade de outras vacinas. Para maiores informações, o criador deve pro­curar orientação técnica na casa da agri­cultura do município, além da con­sul­toria veterinária. Lembrando do velho e conhecido ditado: “é melhor prevenir do que remediar”.
O rebanho médio nacional é de 40 ove­lhas por criador, mas nos últimos anos tem se aumentado o número de cria­dores ingressando na atividade, in­clu­sive com rebanhos mais numerosos. Atual­mente já é comum encontrarmos cria­tórios com mais de 1000 ovelhas.
O número de reprodutores necessário deve basear-se na média de um para cada 40 ovelhas. A idade média do desmame dos cordeiros é de 60 a 80 dias, dependendo da raça e ­sistema de produção.
Para se ter sucesso na criação, é im­portante ter sempre um bom manejo nu­tricional, reprodutivo e profilático, além de uma boa genética, para iniciar e permanecer na atividade ovinícola.
REVISTA O BERRO - Edição 99 - Março / 2007